Não costumo comentar muito do que acontece no meu dia-a-dia por aqui, uso esse espaço mais pra publicar as doideiras que saem da minha cabeça, geralmente transcritas de guardanapos de boteco...rs, mas ontem foi uma noite legal pra caramba. Fui com um amigão (salve, Geléia) que conheço quase a 20 anos pra Coletivo Galeria, em Pinheiros, assistir uma session acústica de blues que o Mário Bortolotto e os amigos dele fazem (Saco de Ratos). O bacana é que o ambiente comandado pela Luciana e pelo Régis é de camaradagem total, todo mundo de boa, bebendo, jogando conversa fora e ouvindo o puta som deles - que não toca nas rádios, música boa não toca mais em rádio. É realmente um mundo paralelo, se você estiver estressado, pra baixo, ou se mordendo por algum motivo, pode apostar que por ali, em alguma das mesas, você vai encontrar um monte de gente sorrindo e um atalho certo pra apertar a tecla foda-se. No intervalo das músicas ainda tem umas canjas de poesia pra quem tiver a fim de recitar. Fazia um tempão que eu não passava uma noite tão boa com os amigos - escrevo assim porque tinha umas 20 pessoas por lá e parecia que todo mundo se conhecia - bebida boa, cultura em profusão e um som maneiro. São de noites e de pessoas assim que essa porra dessa cidade precisa pra fazer a quantidade de cinza e concreto valer a pena. Agradeço ao Geléia que é um puta parceiraço. E dia desses levo meu filho, que manda bem pacas na guitarra, pra curtir por lá. Quem puder chegar e ouvir os caras ao vivo é só colar às terças no The Wall, na Bela Vista ou às quintas, na Coletivo, em Pinheiros. Se chegar de boa fé, bastante sede e coração puro, vai se sentir no quintal de casa. Só pra registrar, postei abaixo umas fotos que a gente fez pelo celu pra registrar a vibe. Recomendo!
Som do bom: o Mário esmirilhando no violão, a gaita alucinante do Vajman e o Watanabe, mago das cordas , amigos e cerveja gelada. Deve ser por isso que o blues vicia tanto!
Agora pela manhã tive a grata surpresa de ver 2 trabalhos meus publicados no blog da exposição "Sophie Calle - Cuide de você" que está em cartaz no Sesc Pompéia. A Sophie Calle é aquela mulher cujo ex-namorado, Grégoire Bouillier, terminou o relacionamento dos dois por carta e ela convidou 107 mulheres para interpretá-la, inclusive os dois participaram de uma mesa, na última FLIP.
Meus trabalhos - "Tormenta", um texto que fala sobre separação/solidão e "Coisas que a gente encontra pelo chão", uma fotografia meio inusitada - foram selecionados e estão publicados no blog, consequentemente estão entre os destaques e podem ser escolhidos pela curadoria pra integrar a expo que será montada no MAM da Bahia.
Agora é torcer muito. Pra quem quiser dar uma olhada nesses meus trabalhos e de outros escribas e fotógrafos lá no blog oficial da exposição, é só clicar aqui.
Amigos(as) escribas, tô numa correria ímpar mas logo mais vou disponibilizar o primeiro capítulo pronto do e-book em PDF ( pra baixar ou ler na tela ) e conto com a opinião de vocês, ok? Ele vai ser composto por 12 capítulos, um para cada faixa do disco "Dois", do Legião,conforme o post anterior. Antes de mandar pro site que poderá publicá-lo, gostaria que opinassem, sobre esse primeiro capítulo baseado na canção "Eduardo e Mônica". Aí vou postando os outros capítulos em pílulas também, assim que forem saindo do forno. Críticas e sugestões são sempre bem-vindas. Valeu!
Ah, e mudando de assunto, a célebre cena aí embaixo é pra quem duvida que a cozinha pode ser o melhor lugar da sua casa...rs
Topei o desafio: a princípio seria escolher uma música marcante até hoje na minha vida e escrever uma história e quem sabe, ser publicado num site indicado por um amigo que incentiva o tema. Mas entre uma cerveja e outra a coisa avançou. Porque não escolher um álbum inteiro, um disco e tentar fazer uma nova história em cima desses acordes que ficam eternizados em nossos ouvidos e sentidos, faixa a faixa. Acabei topando. E é nisso que estou trabalhando e por isso talvez fique um pouco ausente aqui do blog. Ausente em conteúdo, pois estarei por aí sempre, visitando as letras de todos. O álbum que escolhi foi "Dois", do Legião Urbana, 1986. Como dizia Renato Russo: "Não sei onde estou indo, só sei que não estou perdido..." rs - Assim que conseguir dar forma a esse emaranhado de idéias e personagens que o disco me despertou, de novo, com textos novos misturados com alguns rascunhos que já publiquei no blog e que se encaixam nesse projeto, publico em pílulas por aqui ou disponibilizo download via pdf. Segue abaixo um trecho ou talvez o início de tudo:
* O Parque da Cidade
(Domingo)
- Roda-Gigante??? - Madalena gritou, deixando grudado no canto do lábio um pedaço da maçã do amor que mastigava. Quando acordou de manhã e leu o horóscopo desfavorável para o signo de Leão num site, não imaginava que o amigo recente - que julgava poder ser bem mais que um amigo – a tomasse nos braços encarapitada no alto de um brinquedo. Os sentimentos dela já eram suficientemente vertiginosos e, além de tudo, estavam mais pra montanha-russa do que pra roda-gigante. - Ah Madá, desencana. É até romântico vai? Poesia puuura, como nos seus livros. Tá uma tarde linda, o sol se pondo entre os prédios da paulicéia e você não corre o risco do tal Eder fugir ao perceber a “seca” que você anda - riu. Madalena esboçou um sorriso amarelo e ergueu o dedo do meio para a amiga enquanto com a outra mão procurava o papelote de cocaína na bolsa. - Isso! É disso que você tá precisando, de um pau. T-r-a-n-s-a-r! - E fingiu lamber o dedo de Madá. - Bora pro banheiro, amiga. Incentivo costuma ser branquinho e vem em pó... (continua)
* Fragmento do primeiro capítulo inspirado na faixa "Eduardo e Mônica".
Momento "relax" captado pelas lentes do amigo e também fotógrafo, Evandro Silva
* No bar, perguntado a respeito desta guerra declarada entre "Twitter" e blog, cheguei a conclusão que os dois podem viver harmoniosamente, pois pra mim o "Twitter" é o resumo e a divulgação das ideias. Blog é a realização das mesmas...