A QUARTA LETRA 
Caneta, dedo na fuligem, grafite e nós rabiscando palavras que os anjos não ensinaram, em seu falso moralismo celeste. Você escreve frio na barriga. Eu, roda gigante, paisagem, contornos. Letras fundidas na subida do corpo e na queda vertiginosa da roupa. Sussurros e estrelas pelo quarto desarrumado, a garrafa vazia, a tv fora do ar e a história que ficou lá atrás, fugiu com o vento pela janela. E agora você dormindo com faniquitos de sonho bom nas pálpebras. Tinha um "S" de saudade escrito de batom no espelho, que você preencheu com um "O" e um "L". Sol que acende em mim a manhã azul dos teus braços. Texto e foto © Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 01h34
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SEMEADURA

A flor amarela balançava com vento e areia, cercada de fogo e das pétalas brandas que despejavam água lilás. A menina encheu sua taça de papel e banhou a flor. O caule aumentava, na medida em que o lilás da água ia sendo absorvido pela areia, afastando lentamente o deserto em volta dela.
A flor era uma ilha cercada pelo mar púrpura e suas pétalas caídas, transformavam-se em degraus imaginários, por onde a menina descia com a ilha-flor presa entre os dentes até chegar na raiz, encontrando no solo, resquícios de perpetuação. Abraçou forte a flor e plantou ali, a amarela. Olhou enternecida a multiplicação dentro e fora dela, flor e menina balançando, com mais vento e areia.
A flor amarela, agora, eram flores, cercadas de fogo e das pétalas brandas que despejavam água lilás. Uma outra menina apareceu com uma taça de papel nas mãos. E outra. E mais outra.
Logo, seria tudo jardim!
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h59
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