Escrito por F. Reoli às 17h06
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PASSAGEM DE IDA

Encontrá-la assim, debaixo dos lençóis e tão vulnerável naquele apartamento sem porteiro e quase desabitado do Centro velho, tinha sido uma oportunidade única. Nunca tinha sido ciumento. Muito pelo contrário, seu único interesse sempre fora o conforto e a possibilidade de sair da vida miserável que levava. E nem gostava muito de mulher. Helena era sua salvação e até que estava atraente naquela manhã, com aquela camisola de renda negra...
Ciro estava perdido em pensamentos quando voltou a sí através do grito do amigo, que andava ao seu lado, pela estação:
- É ela, porra... olha lá, do outro lado da plataforma... tô falando, meu faro é muito bom, amigo...
Ciro mexeu apenas os olhos uns poucos centímetros pra direita de Ataulfo. Arfando, pelo peso da bagagem que carregava, resolveu encerrar a questão.
- Não, seu faro não é nada bom... - e olhou pra maleta - Não é ela.
Nesse exato momento o trem chegou e encobriu seu campo de visão. Ataulfo ainda correu pra ver se estava ficando doido, procurando pela mulher entre os vagões.
- É ela sim, cara. Ela vai fugir porra, vai fugir...
Ciro continuava impassível, com a enorme maleta térmica nos ombros.
- É, talvez fosse ela, detetive. Mas agora se foi. Sabia que ela fugiria assim que eu desse a primeira oportunidade... Não foi você mesmo que me disse, que ela e o tal vereador, o Rubens, estavam planejando? Só vim aqui pra termos a certeza...
- Eu te mostrei as fotos e o filme. Infelizmente. E justo com o vereador... Homem estranho, na Câmara Municipal corre a lenda que ele é meio afeminado, se casa apenas pra manter uma imagem de homem de família, maaacho!!! - Piscou, o detetive - Ah, inclusive, escrevi no relatório que te entreguei, que o coroa tem um passado meio obscuro, sua segunda mulher sumiu do mapa em situações um tanto estranhas. A mulher nunca foi encontrada, e o Rubens nem foi considerado suspeito, homem honesto, colocou é uma fortuna de recompensa pra quem soubesse notícias... mas por falta de provas, o caso foi arquivado. O que a Helena viu nesse homem? Não entendo. Se eu fosse ela, tomaria bastante cuidado com ele...
Sentiu-se feliz por ouvi-lo mencionar esse fato. Um ponto mais ao seu favor.
- Bom, mas vejo que se conformou. Faz muito bem. Essa mulher tem o capeta nos olhos... - e se benzeu ao dizer.
- É, tinh... tem sim... - sorriu maliciosamente.
Ataulfo tirou um cigarro e ofereceu outro ao amigo.
- O Peri me garantiu que ela pegaria o trem pra disfarçar, mas o caminho dela só pode ser o aeroporto, talvez o Campo de Marte. O Rubens tem helicóptero à disposicão e...
Ciro interrompeu:
- Acho que é melhor nos despedirmos, detetive. Ainda tenho muito trabalho a fazer. Aliás, essa viagem de trabalho veio bem à calhar... Sua missão está cumprida. Deposito seus honorários assim que chegar ao meu destino. Um dia a coisa toda se esclarece...
- Ok, mas me telefone se precisar. Apesar que a essa hora, a Helena já deve estar beeem longe.
Deu uma última olhadela pela estação, conferiu o relógio de pulso e se foi.
Quando Ataulfo sumiu por trás da banca de jornal, colocou a enorme maleta no chão e decidiu ir pra Rodoviária. Checou o bolso do paletó, pegou um documento e sorriu ao ler as palavras “comunhão total de bens”. Depois, queimou numa lixeira o bilhete deixado pra ele com recortes de jornal: “Te espero em São José da Coroa, meu amor. Beijo. Rubens”.
Foi se encaminhando célere, para o terminal rodoviário. E não estava sozinho.
Dentro da maleta, em 16 pedaços, estava o corpo da esposa infiel que o amigo detetive julgava ter fugido e viajado pra beeem longe.
É. Em parte ele não estava errado...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 12h58
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LA JOCONDE

Saiu do Louvre pela porta da frente, em troca de uma chupada no porteiro. Caminhou alguns passos e entrou na primeira porta que vira aberta, sob neon vermelho. Cantarolou e bebeu sozinha taças e mais taças de champagne, fumou haxixe e armou um strip-tease. Vomitou em cima dos pretensos amantes que a bolinavam e mijou em pé no banheiro. Pegou dois homens pelo braço e saiu trôpega pela noite parisiense. Monalisa tinha fogo no rabo. E um sorriso gelado nos lábios...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 17h48
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Love Stories
(Episódio 1 - Qualquer semelhança com situações, personagens ou diálogos não terá sido mera coincidência...rs)

© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 00h58
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CÍTRICA

Só usava minúsculas calcinhas laranja e limão, batom cereja nos lábios e duas gotas de essência de morango atrás das orelhas. Mas a filha do quitandeiro mantinha-se pura. Não deixava ninguém comer sua "frutinha".
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 17h58
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Escrito por F. Reoli às 11h30
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