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CÁFTEN

Pensou em gritar na cara da mulher: "- Sua puta", no momento em que a viu vestida com aquela micro-saia vermelha. Mas não, ela nunca lhe dera por dinheiro. Pros outros sim, pra ele nunca. Sem um vintém no bolso - como sempre -, respirou fundo e sorriu amarelo, entrando sem pestanejar, no carrão importado dela.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 10h54
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À DERIVA

Só depois de ler a folha branca das minhas retinas é que reencontrei tua pele incandescente no espaço deixado entre as palavras. Desabitei a casa dos anjos tortos que faziam crepitar a fogueira e me joguei ao mar dos teus braços, dentro de uma garrafa...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 17h40
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JUNK FOOD(IDO)

Sou um junkfoodista nato! Ou melhor, um junkfoodido nato! Só queria saber porque os melhores acepipes ficam mais saborosos depois de nadar numa piscina cheia de óleo de soja e a água não tem um pouco de álcool em sua fórmula. Pastelzinho no Hugo? Coxinha no Frangó? Sardinha à milanesa no Sabiá? Questões de tirar o sono - até mesmo dos cardiologistas... Me mandam malhar e eu escrevo. E aí dizem que escrever é malhação de preguiçoso, apesar que acalma e mata a fome. Será? Poemas só escrevo no balcão do boteco, com cerveja, amendoim e sal debaixo da língua. E um cigarrinho entre um e outro. Haja pressão. E por falar em escrever, ainda ontem estava eu no Sabiá rabiscando - num guardanapo engordurado de torresmo - o meu protesto: abaixo o colesterol e o preço da cerveja. E salve a empadinha de 1 Real. Tô economizando pro cateter...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 18h21
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3 RECADINHOS...
Agora disponho aqui no blog - à direita, logo abaixo da foto do meu perfil - de um muralzinho de recados e (ou) um chat, onde poderemos conversar on-line, trocar recados e onde também deixarei dicas de coisas que curto pra vocês visitarem, caso haja interesse. Essa ferramente será muito útil para uma interação maior com todos e para que o espaço do blog seja mais aproveitado com meus textos do que com meus recados. (rs)
(18.07.08 - 23h17) Com um pouco de atraso - o filme tem estréia hoje no circuito nacional -, queria deixar essa dica sobre o filme "Nome Próprio", dirigido por Murilo Salles, com Leandra Leal e baseado na obra da blogueira e escriba Clarah Averbuck, que retrata exatamente esse universo virtual, esse mundo blogueiro em que vivemos, onde o computador deixa de ser cenário e acaba virando personagem. Eu queria falar muito aqui das impressões sobre o que vi no blog, mas acho que o link vai poder dizer e mostrar bem mais do que eu queria. O filme em sí ainda não assisti, mas pelo blog fiquei tentado e vai ser a segunda coisa que farei amanhã, a primeira será o casamento de um grande amigo-irmão que tenho. Pois é, ainda existem loucos como eu que acreditam na vida à dois. Mas casar às 10 da matina, é sacanagem...rs. Não deixem de assistir as performances ao vivo pela web cam de Alessandra Cestac no blog, às 21h, segundas, quartas e sextas - é uma artista de primeira, cujas intervenções retratam bem o caos, a sensualidade e a beleza da cidade e da natureza humana. (Alessandra é responsável pelo lambe-lambe que decora o quarto da personagem principal), e de curtir as fotografias, making of e a trilha sonora imperdível. Esperem carregar a página toda, demora uns segundinhos mas vale muito a pena. É só clicar aqui
Ah, e não deixem de ler os textos de um monte de gente bacana na mostra Coletivo:Kaos e de mais um textinho inédito desse que vos fala, logo aí abaixo.
Abraço pros cuecas e beijo para as moças.
Escrito por F. Reoli às 19h14
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QUAI DE BOURBON

Fechou a porta atrás de sí deixando pra fora um pedaço lilás de fim de tarde. Com seus olhos nublados de fadiga olhou por todo o cubículo mofado e em desordem. Nunca fizeram parte um do outro, ele e o lugar. Lugar nenhum. A cama soltou um rangido agudo, quando sentou e apertou o botão do abajour. O bloco de anotações ainda guardava sob a poeira a célebre frase de Camille Claudel à Rodin: “Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta” (Il y a toujours quelque chose d'absent qui me tourmente), que ele copiara à lápis num guardanapo de papel - sem saber porque -, da porta do banheiro de algum café sujo que estivera. Frases. Sempre as copiava embora nunca as entendesse. Talvez fosse a forma que encontrasse de fazer a vida ainda mais complicada. Quanto mais palavras, mais confuso o significado da existência. Do outro lado das paredes descascadas ficava o futuro e alí, naquele ambiente claustrofóbico, só conseguia ouvir os sons do passado açoitando o presente. Se soubesse ainda como fazer, seria um excelente momento para derrubar algumas lágrimas, mas a fisionomia continuou impassível, sem demonstrar nenhuma emoção. Fazia algum tempo que perdera a capacidade de sentir amor por sí mesmo ou pelo outro. Uma sequência infindável de experiências frustradas. Vida vazia. Só de pensar, o ar doía cada vez mais em seus pulmões. Precisava de um trago. Ergueu do chão sua única companheira: a garrafa de whisky. Deitou-a sobre o copo. Um gole longo. Ela sim valia alguma coisa: inebriava os sentidos, soprava a solidão e era quem embalava seu sono, embora também trouxesse os mais sombrios pesadelos. Até ela - a garrafa - era a salvação de alguém, tinha sua razão de ser. Ele não. Já fora filho, mas nunca seria pai ou amante. Aliás, não seria nada mais, nem uma lembrança. O tempo era seu inimigo invisível. Que a noite o engolisse. A faca jazia sobre o criado-mudo, refletindo a fraca luminosidade da lâmpada em sua lâmina. O copo de whisky barato pela metade e sua cara com a barba por fazer refletida no espelho da cômoda. Acendeu um cigarro, tragando profundamente. Bebeu num gole só o liquido âmbar que restava no copo. Decidido, empunhou a faca e cravou a lâmina com força em seu coração. Até o cabo. Um corte profundo, a última tentativa de procurar o amor no único lugar onde ele ainda julgava existir.
Morreu agonizando, na velha cama, sem nada encontrar.
© Fábio Reoli
* Escrevi baseado na música "A Montanha Mágica", do Legião Urbana. Para ouvir, clique aqui.
Escrito por F. Reoli às 18h09
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