 |
|
 |
CONSTÂNCIA

Obstinado, procurava por ela em cada boceta que fodia. Um dia a encontraria.
Assim. Sem poesia.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 14h29
[]
[envie esta mensagem]
AOS INSONES

Impossível apagar, retirar, extirpar a lua do céu. Antes, arranque seus próprios olhos ou não a encare. Solidão é opcional. Céu e saudade, não.
A lua só não existe pra quem dorme cedo!
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h11
[]
[envie esta mensagem]
PASSADO TEM DOIS "eSSes" DE SAUDADE
(Ele)

"A sombra da noite desenha em mim antigas memórias, são seus olhos-meu reflexo, esboçados nas paredes amarelas da história. Você deve estar num canto da sala, olhando pro pedaço de céu sem lua que ainda resta, abraçada pela melodia daquele velho disco de blues que embalou beijos mais carmins do que azuis. Miro os botões do interfone. Respiro. Tantas lembranças, tanto tempo... Aceso ou apagado estará seu desejo, seu apartamento? Será cheio de cor ainda o seu sorriso? Acho que vou gritar seu nome. Preciso."
(Ela)
"Eis-me lágrima neste momento, molhando paredes vazias e desenhando você no pensamento. Neste encontro proposital com o passado, percebi o quanto não sinto falta do presente. Fragmentos de loucura e sanidade, frutos dessa noite sem lua. Ainda a pouco, jurei ouvir você gritar meu nome. Devo estar doente. Saudade."
Madrugada fria. Chovia, quando amanheceu.
© Fábio Reoli
* Escrevi baseado na música "A Via Láctea", do Legião Urbana. Para ouvir, clique aqui
Escrito por F. Reoli às 14h14
[]
[envie esta mensagem]
QUAZI VIDA NA "VENEZA" DUS POBRI

"Oji, tar camalião, mi tornei da mema cô dus prédio e dus posti qui custuma respondê os meus bum dia e bas noite, mais du qui quarquê pessoa qui passa invorta em seus póprio pobrema, aqui im riba da ponti, na cidadi grandi. Mais pelu menus tô longi daqueli par di zóio di fogo qui mi dava a vontadi de girar sobri eu memo. Cruis credu! Aqueli par di zóio qui mi feiz deixá us amigo, a certesa, u violão...
Oji quem mi acumpanha é as lembransa, inquantu tu fais sombra nu isquecimentu. I cum qui velosidade tu si isquesseu. Num lembra im nada aquelas lágrima dirrubada divagá, qui neim passu di tartaruga, na hora qui si dispidiu di mim. Chegô até memo a mi sigurá pelo cóis da carça e sortá um “fica, beim”, cum aquela voiz móli. Vim simbora cum u saco chei de roupa i as véia cantiga qui eu ti escrivia nas noiti inluarada. Mas u qui mais mi pezava nu ombru era a tar sensasão du seu sofrimentu. Tinha dó, ti imaginei chorano pelus cantu, vistindu u vistido pretu qui tu uzô quandu sua tia foi deça pra mió.
Mas vimbora pra ti isquecê memo, tantu qui neim u violão eu trusse. Mas essi pensamentu duro poco. As urtima informação qui tivi, i óia qui queim segredô é genti di confianssa, foi di qui tu foi vista cherandu arco di bibida e pitandu toda filiz, cuntenti, mais aqueli safadu du donu da venda, lá na budega do Tonhu. Oji, si eu fosse iscrevê uma cantiga, seria premeru lugá nas rádio AM.
E inda agora poquim, passou um moribundu comu eu i mi pidiu um cigarru. Eu só tirei um dus urtimo Bermonti qui eu tinha no borso e intreguei pra eli, purque quiria tentá lê a tatuage qui eli tinha nu brasso. I lê, memo qui muito mar i divagá é um dus poco tisoro qui tenhu na quazi vida qui levu nessi mundaréu di estranhu. Eli dice que tinha saidu a poco da cadeia pur te assertado em cheiu os corno di uma messalina – qui eu nem sei u qui é, mas devi di se iguar tu, pelu nome feiu. I a tatuage tinha iscrito u qui fais tempim qui eu pensu: “Amor só de Mãe”. Achu qui o moçu teim um quê di sabidu..."
“- Issu divia sê uma carta pra ela, mais joguei lá pra baxo da ponti. Acendi um cigarru e oiei pro fileti dágua ismilinguindu o qui era essi paper. U riu é razu. Num sei si tenhu vontadi de chorá, di vortá ou di pulá. Qui sardadi du meu violão”.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 14h43
[]
[envie esta mensagem]
NEM "EXATA" E MUITO MENOS "HUMANA" a matemática da cidade grande

Nem São Paulo, nem Rio de Janeiro e nem Belo Horizonte ou Brasília. Chega das grandes cidades com seus prédios cinza-chumbo e buzinaços de manhã até de noite. Eu quero é pedaço de céu azul e lilás, do sol brilhando sem nuvens e de poder sentir a areia e a terra debaixo do meu pé. Trabalho? Só o de colocar o anzol na água e levar o copo e os lábios da amada à boca, saborear os sabores do mar e os frutos da terra. Números então, nem pensar. A não ser o de contar as nuvens deitado na grama. O relógio vai ser feito de sol e lua. Dia enquanto amarelo, tarde enquanto laranja e azul marinho quando noite. E claro que vai dar pra perceber até os tons de amarelo, rosa e lilás, no decorrer dessa dança simbólica dos astros. Enfim, relaxar e respirar sem a interferência do monóxido de carbono e seus pares, a não ser o daquele cigarrinho de vez em quando. E que a lembrança de um congestionamento - você dentro de uma lata de sardinhas com mais 50 sardinhas - às seis da tarde, hora da ave-maria, possa ser varrida pelo sossego e contemplação, como deveria. Sem trânsito. Tudo, tudo é de enlouquecer nas grandes cidades. Poluição, gente mal-educada, violência... mas o trânsito, é que anda - ou melhor, não anda - de matar. Os carros não saem do lugar apesar das rodas, as sensações não são certas, os sentimentos são turvos e os olhos ardem. Até mesmo a matemática deixa de ser uma ciência "exata" e, ainda assim, nada "humana" na hora do rush ou no rush fora de hora: definitivamente, é melhor ter duas pernas do que quatro rodas!
© Fábio Reoli
* São Paulo congestionada, na última sexta-feira (9), às dez e meia da noite. Pasmem!
Escrito por F. Reoli às 17h04
[]
[envie esta mensagem]
RELICÁRIO
Na caixa de papelão envelhecida, envelhece a pedra do inesquecível entre horas sem ponteiro, pétalas ressecadas e saudade irreversível. Dançam ali, ciúme e verdade... estupidez e vontade... vícios e virtudes fantasiados de improviso. Há a chama vermelha que arde, guardada entre a lenha que acendia teu sorriso onde a chuva amena do céu de noite, dissolve intenções em poema.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 13h05
[]
[envie esta mensagem]
OUTONO

O sol veio e beijou o vento, mudando o cheiro da flor. Um sopro perfumado e contagioso (de amor), espalhado pelo amarelo ouro e azul de um ponto qualquer do céu. E só no lilás da quase noite é que encontro a alegria da cor canela da sua pele, onde deságuo em véu o meu sorriso e te molho com as lágrimas castanhas que caem dos meus olhos...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 18h59
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|
 |
|
 |
|
|