18º andar

Na música que o tempo canta, dança anônimo o n do teu quase nome. Tempo esse impreciso, aliás, trazendo de trás da porta teu sorriso que reflete na vidraça as luzes amigas que lá fora, agora, é aqui dentro. A cidade é grão de areia vista lá de cima onde estou Sol sorrindo, pendurado num final de tarde, lilás...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 15h22
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Música: história da minha vida... e da sua...
Quem nunca enxergou sua própria história através da letra ou mesmo da melodia de uma música que atire o primeiro CD... Ahhhh, “As Coisas Tão Mais Lindas” não existiriam sem música, né Nando Reis? rs Meu primeiro contato com a música - como dizia minha saudosa mãe -, foi aos 2 anos de idade. Eu descobri que batendo a testa na parede, um som era emitido. E engraçado que em vez de chorar, eu ria e repetia o gesto. Tum-tum-tum... Não é a toa que eu vivia com galos na cabeça, mas em compensação: música nos ouvidos... zuuummmmm... rs Sempre gostei de escrever e conforme crescia fui descobrindo que a música podia influenciar a imaginação, era responsável por uma viagem só de ida por dentro de mim mesmo. Aquela viagem que apresenta belas ou tristes paisagens e que a gente só fotografa com lentes “auditivas”. Música é companheira. É aquela que abraça, que odeia, que transforma... é uma grande cúmplice das nossas sensações.
Ainda me lembro de um radinho de pilha vermelho – Motorádio – que eu roubava do meu irmão mais velho, no início de 80, para ouvir o Dalto cantando “Muito Estranho” ou a Gal se esgoelando em “Chuva de Prata”. E a cada roubada do rádio, sempre saia uma redação pra aula de Português, um poema pra loirinha da primeira carteira ou mesmo aqueles rabiscos que iam direto pro fundo da gaveta. A década de 80 foi muito rica em se fazer apaixonar pela música, tamanhas nuances de sons e ritmos. Que delícia lembrar os bailinhos – sim, bailinhos de garagem, ainda não existiam tantas danceterias ou similares – regados a Hall´s Cereja, Saint Remy, e claro, Ultraje a Rigor, RPM, Léo Jaime, os breaks com seus gestos mecânicos e os new waves com sua cores psicodélicas. Engraçado como ouvindo essas músicas hoje, consigo sentir até o cheiro das coisas da época. Um pouco antes de tudo isso, me lembro que ouvi o Gil cantando a versão brasileira de “No Woman no Cry”, de Bob Marley e garanto: foi paixão a primeira “ouvida” pelo reggae...rs. Acho que as batidas, a confrontação do corpo com a letra, faz do reggae uma maneira de se entrar em contato com algo superior... um som que não somente faz pensar, mas que desperta uma sensação de paz e amor ao próximo. Não que outros ritmos não o façam, mas uso o reggae para me renovar sempre que necessito de uma carga a mais de bateria...rs. Thanks, Jah! Mas o ecletismo, devido tantas e tantas tendências que aprendi a não só OUVIR e sim ESCUTAR, fizeram da música algo indispensável na minha forma de entender melhor a vida, o outro e tantos outros mistérios que podem ser decifrados numa simples faixa. A música é como o vento, corre por aí trazendo emoção, tocando almas e ouvidos – livre -, não se permitindo trancar em conceitos herméticos. Toda música tem o seu “quê” de beleza e sempre, sempre vai ter algo a dizer... seja da sua história passada, presente ou futura. Ouça! Deixe-se tocar! Dance! Cante! Pode ter certeza de que a descoberta da música em você será a responsável pela resposta daquele sorriso aberto, daquela lágrima ou mesmo a resposta daquele “por quê???” que o ser humano não vai fazer você entender tão fácilmente, a não ser que venha acompanhado de um banquinho e um violão...
Convido a escreverem sobre o tema "música": La Zingarah, Márcia (Clarinha) e Lú Rosario. Essa foi uma brincadeira proposta pela minha linda Como Ninguém do blog Ménage à Trois.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 10h57
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PASSADO PASSADO A LIMPO

A gaveta reaberta agora tem cheiro de flores do campo, com aquelas gotículas de orvalho choradas por nuvens boêmias numa madrugada qualquer. A naftalina amarelou as letras do papel mas conservou a história, mesmo que um segundo lá atrás não tenha a mesma cor púrpura do céu futuro. O sorriso que os olhos vêem o coração não pressentiu. Eles não queriam ver. Mas ainda se enxergavam...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 13h15
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PRETÉRITO

Atrasou o relógio e descalçou os sapatos.
Fechou o livro onde moravam as lembranças.
Apagou com um sopro o toco da vela de baunilha.
Depois a Lua.
Escura e inútil tentativa.
Voltou pra cama e abraçou a noite sem sonhos.
Voltar no tempo é ser passado pra trás...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 16h09
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VÍTREO

invisíveis
no sentido inverso e avesso
ao universo de você
chamas caladas de silêncio e sono
desertando distâncias
invisíveis
poemas de fumaça
à queimar a língua
que lambe lânguida
quilômetros de sol e saudade
invisíveis
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 12h27
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