INSONE

Alta madrugada e a criatura meio pedra-meio carne continua ali, sentada em frente ao branco do papel,
tentando esquecer o que devia ser escrito...
Tentou dissolver cada palavra através dos arabescos da fumaça do cigarro mas foi em vão. Rabiscou, apagou, rasgou a folha. Amassou e jogou no chão. Duas. Três vezes. Sente que o personagem é descartável, merecendo ficar pra sempre preso nas páginas de um livro que ninguém abra. Histórias de amores baratos, como os copos de whisky paraguaio que lhe corroiam o estômago. Baratos como os sentimentos e o perfume da morena de sorriso fácil, que deixara um adeus de batom no espelho quebrado da cômoda. Os olhos turvos miram o papel. Nele, apenas garranchos desenhados à lápis se misturam numa dança sensual, quase mística, num ritual estranho que lhe confunde ainda mais os sentidos. Traga mais uma vez o cigarro até o filtro lhe queimar os dedos. Nem sente.
O Sol vai varrendo os resquícios de Lua e estrelas e a criatura continua ali, sentada em frente ao branco do papel, tentando escrever o que devia ser esquecido...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h17
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UM BAR, QUINTANA E EU

Na mesa do bar, Mário Quintana e eu,
dois copos pela metade e um pensamento
em comum: - Amor é quando a gente mora
um no outro... - disse Quintana, entre goles. - O resto é casa de aluguel... - respondi. E olhando juntos pra Lua que chegava com seu riso cúmplice, pedimos outra cerveja.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 09h57
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Escrito por F. Reoli às 12h24
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À LÁPIS

desejos trocados
mãos e olhares
percorrendo caminhos à lapis
rascunho de letras, sentido e tesão
na tua pele eu escrevo
e minha palavra vira teu prazer
e teu prazer
inspiração
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 10h31
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