UM BAR, QUINTANA E EU

Na mesa do bar, Mário Quintana e eu,
dois copos pela metade e um pensamento
em comum: - Amor é quando a gente mora
um no outro... - disse Quintana, entre goles. - O resto é casa de aluguel... - respondi. E olhando juntos pra Lua que chegava com seu riso cúmplice, pedimos outra cerveja.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 10h55
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AMOR? VIDE BULA

Você se pega sorrindo, assim, sem nenhum motivo aparente, sai por aí assobiando melodias que não conhece e até os cachorros de rua param para lhe abanar o rabo. Você passa por lugares que sempre passou e começa a enxergar coisas que você jurava de pés juntos que não existiam. Cores, plantas, pessoas...rostos que sempre estiveram ali, mas que passam a fazer um sentido inexplicável no caminho. Você percebe que o vento daquele final de tarde traz um cheiro familiar, de jantar, do perfume das flores amarelas daquele canteiro que você acreditava invisível. Sim, eram amarelas as flores... Sorri ao se encontrar na criança de cara suja, que traça desenhos com sua pipa por entre as nuvens e percebe que a pureza é um estado de espírito. Você começa a enxergar a esperança em cada olhar perdido debruçados nas janelas. Você volta ao útero materno e começa a caminhar em busca daquela luminosidade incessante que se anuncia. Você sente o peito se enchendo de ar, límpido, sem resíduos de mágoas, de queixas, de frustrações... Um ar que você nunca respirou, mas que refrigera não apenas a carne como também a sua visão, os seus pensamentos. Você olha para o reflexo que aparece num espelho imaginário e não se reconhece mais. A pessoa refletida lhe sorri. Tem o semblante brando e o brilho das estrelas nos olhos. E então você tem a plena certeza de que o vazio é um planeta distante, desconhecido e até mesmo inexistente, dentro desse Universo infinito chamado Ser.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 15h39
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FRAGMENTOS
Ás vezes é preciso ser papel,
pra se entender a árvore...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 13h39
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HQ

© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 14h07
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EPÍLOGO
um dragão vôou sobre a flor amarela
desprendendo-se do livro da vida de um homem que se pensava sábio
numa noite de domingo
morreu de amor e saudade o poeta da página 18 caçaram-no os anjos de nanquim que ilustravam
cada capítulo
não mais encontraram o dragão
que sangrava
palavras
e na história, uma ferida...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 14h03
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