OUTONO

O sol veio e beijou o vento, mudando o cheiro da flor. Um sopro perfumado e contagioso (de amor), espalhado pelo amarelo ouro e azul de um ponto qualquer do céu. E só no lilás da quase noite é que encontro a alegria da cor canela da sua pele, onde deságuo em véu o meu sorriso e te molho com as lágrimas castanhas que caem dos meus olhos...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 18h59
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UM DOMINGO ESPECIAL
( Choque-Rei )

Domingo de chuva, domingo de sol... e lá se vai um mar de camisas alvi-verdes pelas ruas... Os corações batem fortes, o sorriso é a personificação da alegria de ser palmeirense e muito mais que isso: o sentimento do bom filho, que por direito adquirido, volta à sua casa. Pelas avenidas se vêem bandeiras desfraldadas pelos carros que passam. Nem parece São Paulo. Esse é o dia em que o verde-Palmeiras vence o cinza-concreto. Todos os caminhos levam a um só lugar, um templo sagrado, incrustado na Pompéia, onde ídolos do passado e do presente emanam suas vibrações em prol da vitória. Tem clássico no Palestra Itália. Algumas nuvens até aparecem, mas são brancas e nelas vivem palestrinos e palestrinas queridos que já se foram e que, lá de cima, se preparam para mais uma vez recordarem a emoção do encontro. Nem a eternidade separa essa paixão chamada Palmeiras... Na nossa casa já sentimos a presença divina. É Ademir da Guia que está por alí, desfilando sua simpatia pelas alamedas do Palestra. Ele aplaude, vibra e chora. Se notarem bem, no momento em que o apito final celebra a vitória do Palestra, são lágrimas de alegria que escorrem pelo rosto do Divino. Esse é o dia em que até o Divino reverencia o "Mago". Do outro lado - naquele pedacinho tricolor quase imperceptível -, o pó de arroz e o batom se liquefaz em lágrimas de derrota... As madalenas arrependidas que sobraram - é, as outras saíram na hora exata do segundo gol -, estacam embasbacadas e sem destino. Acho que essa visão, foi um dos pontos altos da festa. É hora de deixar a nossa casa. A comemoração é muito grande até mesmo só para ela. Alguns beijam o chão das arquibancadas, outros se abraçam. Alguém fica alí apenas olhando pro gramado, ouvindo a alegria de uma torcida que não só canta como vibra. E depois de tanta emoção, todos vão se encaminhando pra saída com um grito de alegria na garganta e a certeza de que muito em breve, estarão de volta. É a nossa casa, das quartas, sábados, domingos... E esses domingos, nem precisam ser de sol. Pode chover até... por que aí, esse mar alvi-verde vira onda de vez e inunda definitivamente o solo dessa cidade, que num domingo, em especial, deixou de ser São Paulo pra virar PALMEIRAS!!!
© Fábio Reoli
* E no dia 04/05/2008, em mais uma tarde gloriosa, o Palmeiras se tornou o campeão Paulista de 2008!
Escrito por F. Reoli às 12h01
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VIÇO

toco teu corpo úmido como quem desfolha um bem-me-quer entre os dedos cedendo ao chamamento da carne entregue a face faminta do desejo
orgia dos sentidos letras transmutadas em língua escrevendo palavras obscenas em teu ouvido
meu todo a te possuir e tuas unhas desenhando com sangue minha pele sem ferir
vem devora faz de mim teu Universo o êxtase que para outros é prosa para mim é gozo sussurrado em verso
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h49
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TATO

Dedos. Tocando a pele aberta e oferta. Desenhando imagens lascivas, de pudores desprovidas, em teu corpo teso. Só corpo e curvas. Não me lembro do teu rosto. Muito menos do teu nome. Só do teu prazer exposto, incontido e sem medo. Na hora que tudo pára, de olhos fechados estremeço: mulher você existe só na ponta dos meus dedos...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h58
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DO OUTRO LADO DA TELA
(quem nunca teve um amor virtual que atire a primeira tecla)

do infinito virtual
entre teu olhar e o meu
brilha a estrela do querer
que nos guia um para o outro
da ausente distância
entre teus lábios e os meus
brincam sensações inexplicáveis
incontidas... sem princípios
da prece do silêncio
onde somente nossas peles falam
teclam mãos em carícias imaginárias
de toques cegos mas que tudo dizem
do etéreo e eterno instante
na consumação do desejo
gritam vozes e gozos
da quase dor desse mistério
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 16h33
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ASAS

A rua antes deserta foi se povoando de semblantes felizes e abraços apertados. Reconciliações, chegadas ou simples aconchego de almas efusivas. As pessoas cheiravam a caramelo e pipoca doce e as crianças brincavam de roda, cantarolando antigas canções. Alguém deitou na grama e ficou imaginando desenhos no algodão rosado das nuvens. Meus pés foram saindo do chão levados por uma sensação contagiante de utopia. Você sorriu. E os teus lábios voaram comigo.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 22h10
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OCASO

Te encontrei ao ler o horóscopo chinês do jornal de ontem. Atmosfera propícia: a xícara de café - que pra você era de Coca-Cola, o cigarro mentolado queimando no cinzeiro e a fotografia sorridente no porta retrato, banhada pela luz difusa do fim de tarde que insiste em invadir minha janela e pensamentos. Sem pedir licença. Igualzinha você...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 10h54
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ANO NOVO
A contar do primeiro dia de Janeiro, sou um novo homem. Quer dizer, novo não... as mulheres gostam de homens experientes, ou melhor, mais velhos. Diria até que estou diferente. Pra começar, nadinha de futebol nos finais de semana. Nem na TV. Os amigos então, ahhhh... eles vão entender o porque de se deslocarem para as ultimas páginas da agenda. E falando em agenda, os números de telefone das ex-namoradas eu já apaguei. Mesmo daquelas poucas de quem fiquei amigo. Apaguei, rasguei e não deixei qualquer rastro. Roupa então...radicalizei. Aquele bermudão, aquela camiseta surrada do Palmeiras (da tão perseguida Libertadores de 99) e chinelão pra ir a padaria ou comprar jornal no domingo... aposentei. Tudo pro fundo do baú. Agora só camisa de grife, cabelos impecáveis e perfume, de preferência, importado. Cigarro, só unzinho depois do amor. Duro agora são os outros separarem o sensível do "bichístico", o macho do machista e por aí vai. Mas pra mim, um cara do terceiro milênio, não será tão difícil. Sou daquele que percebe sem olhar o que pensa e sente a mulher que eu amo e como se eu fosse mágico, ser exatamente aquele que ela quer: o ombro amigo, o amante, o companheiro...etc. Só que esses dias passei em frente ao espelho e me assustei de verdade. Olhando fixamente pra ele percebí que o cara refletido alí não era eu. Era um outro cara... e é esse tipo certinho que tá saindo com minha namorada. E eu onde fico? cadê eu? Volta aqui!!! Satisfazer uma mulher não é tão difícil, tá vendo? É só saber entendê-la...
Ah, meu amor... eu te amo... te entendo... e sei que minhas mudanças te fazem sorrir... mas será que dá pra eu manter pelo menos o futebolzinho na TV no final de semana??? (rs)
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 20h32
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CRÔNICA DE BALCÃO II

Tem alguma coisa melhor que beijar? Tem, é claro, mas o beijo é o prenúncio das delícias maiores...(rs) O beijo está presente em cada momento do cotidiano, seja o beijo que a gente vê nas ruas, nos cantinhos escuros, contra os muros... são casais e mais casais se dedicando ao saudável ato da "beijação". Esse fluxo desconexo de sensações que dois seres humanos podem encontrar. Pude sentir isso mais uma vez no final de semana. Estava num bar chiquinho aqui da Vila Olímpia com um grupo de amigos, envolto por uma concentração de bolsas da Prada e perfumes Marc Jacobs. Até aí, tudo bem. Mas às vezes, mesmo quando a gente está cercado do melhor e do luxo, aparece lá no fundo do coração, da alma, do cérebro, sei lá porque, uma sensação esquisita. Uma sensação de que algo está fora de sintonia... Percebi isso quando estávamos alí numa mesa da calçada e entre um congestionamento infernal de carros importados em frente o bar, eu vi um casal de catadores de papelão - sabe aqueles que andam por aí puxando aqueles carrinhos de madeira -, dando um belo beijo na boca, daqueles que a gente sorri e pensa "guenta coraçãããão"...(rs) Entre belas loiras – falsas ou não -, com seus namorados mauricinhos, eles também se beijavam sem se importar com nada. Por um instante a carroça ficou tão parte da paisagem quanto os carros importados que por ali circulavam. Tudo isso, só pra me lembrar que não precisa de dinheiro, de drinks com vodka importada, de prosecco francês e garçons engomadinhos ao redor pra se sentir o outro, não existem panos de fundo ou cenários mágicos para o beijo acontecer, mesmo porque quando beijamos estamos de olhos fechados e o próprio beijo cria a viagem... Sinto que tudo o que a gente precisa, de verdade, além de nossa boca para beijar, é uma boa boca para ser beijada. O simples pode mesmo ser visto como o mais importante...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 16h21
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CRÔNICA DE BALCÃO

Noite dessas resolvi dar uma parada numa padaria perto de casa, pra tomar uma cerveja, bater papo e dar uma relaxada depois do trabalho. Pedi a gelada, acendi um cigarro e fiquei por ali, lendo as notícias do dia e esperando uns amigos. Como quem gosta de escrever sempre acaba encontrando um motivo para um poema, uma crônica ou coisa parecida, percebi que havia um senhor sentado umas duas banquetas depois da minha e um tanto inquieto. Ele ajeitava duas taças simetricamente sobre o balcão, com o olhar distante. Notei que também havia uma garrafa de vinho, num baldinho de gelo perto dele e uma pequena rosa embrulhada em papel vermelho, dessas que se vendem as dúzias nos semáforos. “Love´s in the air” – pensei. Continuei por ali, bebericando minha cerveja até que o tal homem se levantou. Uma senhora muito bonita e perfumada - pelo rastro que deixou ao passar -, havia acabado de chegar e se materializava, em frente a ele. Os olhos dela revelavam traços de alegria e excitação. Não pude deixar de notar a maneira como as pupilas quase se fechavam cada vez que ela olhava pra ele. De onde eu estava dava pra ouvi-lo gaguejar alguma coisa, mas o timbre da voz era da mais pura alegria – ou alívio. Parecia que o tal casal não se via há tempos e que ali, naquele instante, acontecia um reencontro. Acabei por me divertir com a situação, voltei a minha cerveja e ao meu jornal e acabei até esquecendo um pouco do casal. Acho que eles ficaram uma boa hora por ali porque no anúncio da minha terceira cerveja, eles se levantaram. Virei o pescoço a tempo de vê-la se inclinar e beijar-lhe o canto dos lábios. Ele ali, estático, vendo-a ir. Ela ainda olhou uma última vez pra traz e lhe sorriu, com a rosa em papel vermelho nas mãos – e quem sabe – no coração, antes de sumir pela porta da frente. Um sorriso daqueles que somente uma mulher apaixonada e disposta a perdoar - sabe-se lá o que -, é capaz de esboçar. E ele alí ainda, com um cigarro apagado entre os dedos, uma espécie de sorriso embriagado e uma pequena marca de batom entre a boca e a bochecha. Então, subitamente, se virou para mim e me pediu o isqueiro emprestado. “-Minha mulher... ex-mulher... – disse apontando a saída - ...levou o meu fogo com ela... levou tudo com ela...” Ele acendeu o cigarro, me devolveu o isqueiro e se despediu. Agora era eu que sorria distraído, brincando com o isqueiro. Olhando para a pequena labareda que saía dele, pensando: a chama do amor deles ainda estava acesa....
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 13h49
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HAI KAI

o açúcar do sorriso mistura
o sal da lágrima:
soro que cura!
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h08
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HAI KAI

na tarde cinza
o Sol se esconde
ranzinza
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 16h59
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ESCRIBAS

Flertam com as letras como uma borboleta flerta com as flores. E pela ínfima quantidade de tempo das borboletas na terra, tudo tem que ser urgente e intenso. As palavras saem num fluxo sem direção ou concordância mas sabem que elas sempre podem dizer alguma coisa. Gostam do jeito como cada letra se beija, formando sons que insistem em fazer mãos e memória dançarem juntas, num baile tão estranho quanto os pedaços de história que eternizam em papel e tinta.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 13h16
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PINTAS

Pintas que vejo
e pulsando de desejo
quiçá, um dia, meus lábios sintam
(que não em pensamento )
pontos de mar escuro
refletindo teus pedaços de prazer tão certos
luzes que envolvem e fecham o circulo
dos sonhos de olhos abertos
pintas que beijam e lambem
como derrame de tinta numa tela
aconchego de pelos e pele atiçando meu fetiche
desenhado com as gotas mornas de sua seiva
que
pinta
borda
transborda e
goza...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 12h00
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SÓ ( L )

o SOL
é SÓ Lá
f o r a
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 12h39
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HAI KAI

teu sorriso de lua crescente
o melhor tempo do meu verbo:
Presente!
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 16h25
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18º andar

Na música que o tempo canta, dança anônimo o n do teu quase nome. Tempo esse impreciso, aliás, trazendo de trás da porta teu sorriso que reflete na vidraça as luzes amigas que lá fora, agora, é aqui dentro. A cidade é grão de areia vista lá de cima onde estou Sol sorrindo, pendurado num final de tarde, lilás...
© Fábio Reoli
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